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Aclamação do Rei Dom João VI no Rio de Janeiro

Aclamação do Rei Dom João VI no Rio de Janeiro, por Jean Baptiste Debret,
Aclamação do Rei Dom João VI no Rio de Janeiro, por Jean Baptiste Debret, via NYPL

Encontrar-se-á facilmente na cena desenhada, parte dos detalhes já descritos na cerimônia da aclamação de D. João VI. Escolhi o momento em que o primeiro ministro terminou a leitura do voto formulado pelas províncias do Brasil, chamando ao trono do novo Reino Unido o Príncipe Regente de Portugal. O Rei acaba de responder aceito e o entusiasmo geral, dos espectadores, se manifesta pela aclamação Viva El-Rei Nosso Senhor e o gesto português de agitar o lenço. A bandeira real está desfraldada. O Rei ocupa o trono, em grande uniforme, de chapéu na cabeça e cetro na mão, estando a coroa colocada numa almofada ao lado dele. À sua direita acham-se os príncipes D. Pedro e D. Miguel, este com a espada de condestável desembainhada na mão. O capitão da guarda mantém-se ao pé do trono, junto do ministro. À direita, perto da balaustrada, percebe-se a tribuna ocupada pela família real e na qual as damas de honra, de pé, formam a segunda fila. As personagens estão colocadas na seguinte ordem: a Rainha, ocupando o lugar mais próximo do trono; a Princesa real Leopoldina logo em seguida, com a cabeça ornada de penas brancas enquanto todas as outras princesas as usam vermelhas; D. Maria Teresa, nessa época chamada a jovem viúva; D. Maria IsabelD. Maria FranciscaD. Isabel Maria e, finalmente, D. Maria Benedita, viúva do príncipe D. José e tia do Rei.

Dois compridos estrados de altura diferente ocupam o centro da galeria, conduzindo ao pé do trono. Os dois lados das três primeiras colunas são reservados aos dignitários da nobreza e do clero, ficando o resto da galeria para os convidados. A cerimônia da aclamação terminou de dia e a galeria só foi iluminada para o regresso do cortejo, após o Te Deum, quando o Rei se retirou para os aposentos do palácio por uma porta aberta atrás do trono.

Tal foi a cerimônia que consagrou a resolução real transportando para o Brasil a sede da realeza portuguesa até 22 de abril de 1821, dia do regresso do Rei a Portugal.

Fonte

Nota do editor

  • A cerimônia iniciou-se no Paço com a decida do rei para a varanda do palácio especialmente desenhada por Debret para a ocasião. A sacada real ocupava toda a frente do palácio e acabava no átrio da Capela Real, onde o rei, tendo diante de si o infante d. Miguel e o príncipe Pedro, acompanhado ainda dos grandes do reino, bispos e oficiais, todos com suas insígnias, ministros e o secretário de Estado do Reino. Após a chegada de d. João na varanda – vestido com o manto real de veludo vermelho, bordado em ouro, e trazendo na cabeça um chapéu com plumas brancas – tocaram os menestréis as charamelas, trombetas e os tambores, recebendo vivas e aplausos do povo que assistia da rua. O rei dirigiu-se à cadeira real, onde recebeu na mão direita o cetro de ouro em uma rica salva dourada das mãos do visconde de Rio Seco, dando início à etapa mais importante: o juramento. (Fonte: O rei da América: notas sobre a aclamação tardia de d. João VI no Brasil, por Jacqueline Hermann.)

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Mapa - Paço Imperial