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Quinta da Boa Vista, por John Luccock

Portão enviado pelo Duque de Northumberland. Atualmente na entrada do Jardim Zoológico na Quinta da Boa Vista.
Portão enviado pelo Duque de Northumberland. Atualmente na entrada do Jardim Zoológico na Quinta da Boa Vista.
Entrada da Syon House, via
Entrada da Syon House, via Wikimedia Commons

Além, fica o “Quintal” da Boa Vista, residência do soberano brasileiro. O edifício fica um pouco para fora da estrada, sobre graciosa elevação; é acanhado e pretensioso, mal construído e pessimamente mobiliado. Dispõe, todavia, de um grande conforto, pois que de três lados possui “varandas” ou colunatas, com janelas envidraçadas, que tanto podem ser fechadas, como manter-se abertas; e assim, consegue-se calor, luz e arejamento. Um particular negociante estava a construí-lo quando chegou o soberano; achando-se este quase sem teto, ofertou-lhe aquele galantemente o seu. À frente dele, acha-se um portão que a Sua Alteza Real enviou o Duque de Northumberland, cópia exata do que dá acesso à “Syon House”, mas que aqui constitui um singular espécime de incongruência.[1] Tem-se, dessa real residência, uma vista bela, embora remota, da baía, da cidade, das montanhas que lhe ficam ao norte e da Gamboa; bem defronte, fica a planície encantadora de Mata-Porcos, com cerca de sete milhas quadradas de extensão. Os jardins ocupam quase um terço da planície, ali florescendo, com beleza e abundância, a laranja, o café, a banana, a mimosa e grande variedade de flores. Preferível que nada se diga do bom gosto desses jardins; devemos, contudo, lembrar-nos de que há poucos anos atrás, tudo ali eram pântanos e matas. Embora grandiosa a vista que se desfruta do palácio, sobrepuja-a aquela que se descortina de um outeiro a cerca de meia milha dali, donde se avista talvez algumas das cenas mais belas e variegadas que jamais se antepuseram aos olhos do homem.

Nota do editor

  1. A Família Real Portuguesa vivia no Paço Imperial desde a sua chegada ao Rio de Janeiro em 1808. Para melhor acomodar a família real, em 1819 D. João VI mandou reformar a casa senhorial da Quinta da Boa Vista, transformando-a num palácio real . A reforma foi dirigida pelo arquiteto inglês John Johnston e foi concluída em 1821. Na frente do palácio, Johnston instalou um pórtico decorativo, um presente enviado da Inglaterra para o Brasil por Hugh Percy, 2º Duque de Northumberland. (Wikipédia)

Fonte

  • Luccock, John. Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil: Tomadas durante uma estada de dez anos neste país, de 1808 a 1818. Tradução de Milton da Silva Rodrigues. São Paulo: Livraria Martins, 1942. 435 p. (Biblioteca Histórica Brasileira, direção de Rubens Borba de Morais, 10).

Mapa - Museu Nacional - UFRJ - Quinta da Boa Vista